De qualquer tipo, amor

Eu & Nós

Eu e nós rindo de tudo. Eu e nós dormindo na melhor conchinha, que é de três. Eu e nós tentando qualquer coisa que parece muito possível para mim, mas visivelmente insustentável para todas as outras pessoas do mundo – que nunca viram o quanto ficamos incrivelmente lindos juntos (isso vocês não podem negar).

Eu me exaltando em qualquer fala política enquanto um de vocês me acalma e o outro ri da minha ingenuidade por pensar que qualquer coisa dita bravamente muda o mundo.

Um de vocês segurando minha mão enquanto caminhamos até o cinema. Outro de vocês segurando a outra. Dois de vocês me olhando atentamente enquanto choro – de forma não comedida, tal como sou – no meio do filme de ação do ano.

Eu e nós fazendo planos.

Eu e nós com a barriga doendo de rir no meio da tarde de um dos domingos últimos. Eu contando uns segredos.

Dois de nós ouvindo atentamente um de vocês falar com propriedade sobre o cultivo das trufas e o quanto isso as torna especiais. Elas precisam de tempo.

Deveria ter contado antes que o objeto de desejo de um escritor ganha relicários sem pedir e que nunca é possível escrever muito sobre um mesmo amor.

Deveria ter contado que se eu não precisasse escrever, não viveria nenhum desses amores que me roubam o ar. Só vou até eles porque precisam ser escritos. Vocês dois precisavam ser escritos. Transcritos em cheiro, voz, calor. Cada um a seu modo.

Você com essa doçura de fada, fazendo tudo o que é doce te lembrar. Uma fada feita de leite e mel. E amor. 

Você com essa leveza e paciência pra vida, certo de poder segurar o mundo nas mãos. E podendo.

E o quanto um de vocês me fazia sentir a pessoa mais engraçada do mundo e o quanto um outro de vocês me fazia sentir a pessoa mais segura. E o quanto os dois juntos me fizeram sentir ridiculamente apaixonada.

Sem saber o que dizer, só posso sair delicadamente, como cheguei, e contar o que aprendi: vida é brincar de não desistir e ter paciência, porque tudo o que é valioso precisa de tempo.

Embora tenha feito uso adequado dos pronomes na escrita, sempre quis estar no nós.

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Cartas e hipérboles, Despedidas, [+18]

Eu, dos seus males o menor [+18]

[Nós dois juntos nesse bar vazio, perdendo a conta de quantas cervejas dividimos. Uma noite quente demais para ser inverno. O efeito do álcool me torna cada vez mais permissiva aos seus toques sabidamente pretensiosos, mas também me faz precisar de muito mais atenção  na sua fala para entender e processar o que você diz.]

Tão mais lindas nos filmes, as despedidas. Os abraços nos aeroportos, os beijos apaixonados, as promessas de sei-lá-o-quê, os retornos. Tão mais lindas do que essa. Essa que começou junto com a gente… prevista, sabida, anunciada. Um milhão de vezes anunciada. Sofrida. Longa. Presente. Causam isso as despedidas todas? Retrospecto, nostalgia, grandes tristezinhas? Causam em mim, devo admitir, que carrego o gosto pelo drama e tudo em demasia, esagerata.

Atribuo esse amor muito intenso e muito triste, carregado de ironias e clichês, com textos e músicas e filmes à Vênus no meu mapa, em Escorpião. A você, crédito nenhum. Hoje doeu muito e eu não consigo nem te agradecer, como fiz algumas vezes. Se houvesse escolha, renunciaria cada segundo vivido até aqui só para não doer desse tanto.

Não espero que entenda, mas hoje eu não posso gostar de você.

[Baco Exu do Blues ecoando entre nós “morde minha pele pra abafar seu maior grito”, música alta. Mais alta do que o som da água muito quente do chuveiro batendo em minhas costas. Mais alta que o seu bramir de prazer enquanto eu estava ajoelhada diante de você no box do banheiro – já embaçado do nosso banho demorado – com as mãos para trás. A minha boca transbordando indecentemente seu gozo. O ar te faltando, sua boca entreaberta. Essa cena crivada em mim com trilha sonora “nosso problema sempre foi a intensidade, cê sabe que é verdade”. Uma foda animalesca, primitiva, desejosa e triste.

Não espero que se lembre de todos os detalhes assim como eu. É que o seu cheiro sempre demora mais para sair da minha pele do que o contrário.]

Não poder ligar só para dizer as coisas que se dizem em despedidas e nem poder dividir com você a dor dessa partida, não poder deixar doer me parece cruel demais para qualquer pessoa. Perverso demais para qualquer pessoa. Injusto demais, mesmo para mim. Não me obrigo a aguentar, por isso eu me perdoo por tanto choro e tanta reza. Por isso eu me desculpo por tanta tristeza e mau humor. E escrevo.

E em mim, que quase nada mais existe, procuro o desejo ínfimo de te ver feliz, da plateia mesmo, embora deteste o lugar. Eu detesto o lugar. Eu detesto ser plateia.

[Minha boca encostada na sua por um período maior do que o necessário. O Sol queimando nossa pele através dos vidros do carro, na frente do prédio. Nosso suor se misturando delicadamente pela última vez. O gosto desse hálito de despedida no último beijo. Últimas vezes.]

Essa dor dilacerante, que não tem nada de bonita como as outras, é lenha. Só a dor pura em estado bruto, sem lapidar. E dela não bota flor, nem água. É só dor de um jeito que nenhuma pessoa mereceria conhecer, nem mesmo eu, que tenho gosto. Falta ar. Falta muito.

[Atravessei a rua tão rápido quanto o possível, sem coragem ou forças para olhar para trás. Eu não te enxergaria, de qualquer modo. Esse olhar ressumado que você causa toda vez nunca me deixa vê-lo de verdade. O corpo em chamas de um jeito que não gostaria de sentir. Passos firmes até o hall, as mãos muito suadas apertando o botão incansavelmente, como se isso fizesse o elevador estar no térreo antes da primeira lágrima escapar de mim. Como se eu conseguisse segurar o choro de todos esses dias por mais um segundo.]

Se houver qualquer coisa para aprender com sua partida, espero que eu saiba aprender logo. Se houver qualquer coisa que possa me dizer sobre ela, espero que diga logo. Se eu pudesse dizer qualquer coisa sobre ela, repetiria o que te disse: nós estamos nos despedindo desde que nos conhecemos.

Cartas e hipérboles

Os olhos que passeiam sobre todas as mesas do bar

Será que entre todos esses risos e dentes existe alguém procurando alguém? Será que nenhuma dessas músicas é lembrança para outrem, além de mim? Só eu me sento aqui entre todas as pessoas mais felizes do mundo, mais inteligentes do mundo, mais interessantes do mundo e procuro por você, justamente por ser você? Ninguém percebe minha busca discreta. Eu olho todos os rostos enquanto levo copos e taças até a boca, respondo com alegria efusiva às perguntas de todos os amigos ao meu redor, brindo todas as vezes. Um milhão de brindes em uma noite. Rio exageradamente alto para uma piada sem tanta graça assim. As coisas todas não tem mais tanta graça assim.

Descanso os olhos sobre a mesa da frente, vejo todos os rostos do bar e os que passam borrados e felizes demais, embriagados de alegria ou cerveja ou solidão – não saberia dizer. Fico atenta à todas as vozes e assuntos, alguns poucos te deixariam interessado.  Eu esperava mesmo que você viesse por acaso. Esperava que o fluxo de energia gasto para pensar em você nas últimas semanas desencadeasse uma sucessão de acontecimentos para trazer você ao mesmo bar em que estou no sábado à noite e assim – só diante desse fato – eu acreditaria em destino. Esse ar ébrio me permite pensar que, se você viesse, alguns dos ensaios montados na minha mente teriam chance de tornarem-se possíveis (esses ensaios que você gosta de ler).

Se você abandonasse só por hoje esse digitar incessante de teses e artigos e me encontrasse aqui – por acaso, pelo destino ou por brincadeira do Universo – deixaria  pediria para você se sentar ao meu lado. Começaríamos uma daquelas conversas em que quase nos completamos – o que não são conversas de bar, mas que são possíveis em qualquer lugar, com você – e eu diria algo sobre como é triste entender minimamente o funcionamento e os sistemas de manutenção da sociedade pós-moderna e como o estado tem, gradativamente, reestabelecido o mecanicismo impactando diretamente na nossa forma de fazer e interpretar a arte, estabelecer laços e amar, você concordaria. E o seu hálito de cerveja carregaria referências, estatísticas e autores corroborando sua fala. Mais de uma vez durante a noite, tenho certeza, me sentiria perplexa diante da minha própria sorte por tê-lo reencontrado.

Beberíamos dos copos um do outro. Nos olharíamos silenciosamente por alguns segundos. Nós não nos beijaríamos, mas os nossos ombros e mãos se encostariam despretensiosamente, nenhuma pessoa daquelas poderia notar, seriam incapazes.

Teríamos ido para casa, transado ou não.

Poderia te ligar no domingo e passaríamos a tarde conversando para que eu pudesse te contar todas as coisas que preciso e para que você despejasse em mim todas as novidades que disse que tinha numa penúltima conversa. Sua voz seria a única coisa que eu ouviria por algumas horas, o que me faria esquecer a loucura das semanas que antecederam nosso reencontro e me deixaria menos triste por ter que existir. Você perguntaria se voltaríamos a nos ver.

Bem, eu diria que sim.

Parafraseando você mesmo, o que realmente não é justo com as memórias boas é o silêncio. Ele ocupa esse espaço imenso dos corredores barulhentos da faculdade enquanto eu caminho segura, fingindo estar incólume à sua ausência até, simplesmente, não mais estar. Ocupa festas e bares, a volta para casa numa embriaguez quase feliz. Ocupa os devaneios durante as leituras e os grifos que gostaria de te mostrar. Eu sou o próprio silêncio quando alguém me pergunta sobre você e me torno – mesmo com um acervo razoável de palavras no vocabulário – instantaneamente incapaz de formular resposta.

Em nenhum dos perfumes foi possível sentir seu cheiro. Sua voz não se sobrepôs à essa massa densa de conversas e risadas. O destino esqueceu da gente.

Não soube eu de nenhuma das novidades, não voltamos na feira para comer pamonha com queijo, nem andamos de bicicleta no fim da tarde do último domingo, não fomos ao observatório, nem voltamos na Paulista. Nós não andamos juntos pelos corredores largos do Ana Rosa. Eu andei só. Você não retornou à ligação e, desse lado da linha, eu começo a entender esses processos sobre os quais a gente tanto falou.

Todas as mínimas coisas vêm de um processo.

Os meus últimos processos, carregados de diacronia, tem essa sensação de que você está em mim quase sempre, mas nunca está comigo. Então, ligar a máquina de lavar muito tarde da noite porque é o único horário possível pra colocar as coisas em ordem, comprar livros cujos títulos te fariam rir muito, salvar muitas receitas de doces na pasta do Pinterest pra não cozinhar pra você, sentir falta daquele nosso baseado chá com música nas noites de sexta, pra relaxar, e olhar pra parte do sofá que te cabia é um processo. Todos os processos contando algo sobre a segunda vez que te amei e sobre todas as outras.

De qualquer tipo, amor, Diálogos

Santé

A gente poderia discutir com qualquer pessoa quais são as causas do abismo estratosférico entre classes e o quanto isso é desejável pela extrema direita, por dias, ad nauseam. Completaríamos os argumentos um do outro. Pensei nisso ontem a noite, enquanto estava no bar, observando o quanto as pessoas precisam falar o tempo todo. Lembrei de você dizendo que o silêncio torna a fala importante. A cerveja descendo goela abaixo, a saudade de você também. E eu em silêncio comigo, querendo ouvir seus elogios profusos e suas observações astutas e irônicas no meio do caos.

Poderíamos ter dançado mais vezes antes de fazer amor. Nosso brinde improvisado com um resto de vinho da minha geladeira não pedia conversa nenhuma. Tínhamos tempo. Você me servindo na única taça da casa e bebendo, displicentemente, direto da garrafa, o contorno da sua boca sedenta beijando o vinho gelado, quase posso sentir o gosto por você. Quase posso sentir seu gosto. O seu hálito de álcool me acendendo a verve, a sua fala segura e eloquente, a libido. A fala era dispensável. Enough.

Eu poderia ter feito menos alusões ao niilismo e ter te beijado muito mais vezes em público. Deveria ter segurado mais forte na sua mão enquanto caminhávamos na Paulista, só pra te mostrar que é bom ter alguém pra caminhar junto. E aí você poderia se soltar de mim mais devagar, pra eu entender, aos poucos, que você é mais feliz andando só.  Numa das nossas conversas de vozes roucas e mansas eu deveria ter dito que a sua pele era pra mim feito brilho de pérola escura e que eu não sei me desculpar. Fico ruminando as coisas não ditas, um tanto de desprazer.

Acho por bem dizer que eu ainda sorrio quando penso em você – como eu poderia te odiar? –  mas acho um desperdício imenso e irreparável disfarçar meus exageros, eu adoro colidir. Espero que me perdoe caso eu tenha me excedido com você, mas não espero por perdão nenhum pra continuar brindando. E se você nunca teve uma recaída – como me disse numa dessas nossas noites, soltando entredentes uma fumaça densa da janela do meu quarto pro céu, eu gostaria, verdadeiramente, de ser sua exceção.

Diálogos, Listas, Repetição é um recurso de linguagem que eu adoro

O tanto que dói crescer

Esses sapatos sem caber. E as ressacas e os bares e os filmes.
O barulho de todas as festas.
O gosto de todos esses beijos e todas essas bebidas.
O frio de todas essas noites e a falta de você.
E a responsabilidade sobre todas as coisas que digo e escrevo, e sobre
todas as coisas que sinto. E sobre as que você sente.
E todos os artigos lidos e ostensivamente grifados. Todos os livros.
As visitas aos hospitais e ao passado.
E todas as anotações num caderno velho misturadas com as anotações de outros anos,
todas sem data. Todo o retrocesso.
E todos os litros de vinho consumidos até aqui – prazerosamente necessariamente consumidos até aqui.
E todas as vezes em que eu estive sozinha no elevador pensando sobre o quê realmente somos. E cada segundo a mais olhando a porta fechada diante dos meus olhos.
Todos as portas que estiveram fechadas sob o meu olhar.
E Foucault, e Goffman, e Dostoiévski e todos os outros que trazem à luz o desespero
feroz do que é existir. Doloroso.
E a palavra exagerada repetida um milhão de vezes por mais lábios do que sou capaz de contar. No italiano, esagerata.
Todo o trânsito e barulho dos carros e o silêncio ensurdecedor das madrugadas, sentindo
o vento frio na janela do sétimo andar.
E todas as coisas que não podem ser ditas contra todas as outras que precisam ser.
Todas as coisas que eu precisava dizer.

Amor, cerveja e sorrisos

Inadiável

img_3704A gente começou quando você me beijou de surpresa no estacionamento do shopping e eu pedi desculpas pelo o que iria dizer – porque poderia ser estranho – e soltei, entredentes, que eu amei o seu hálito. Você riu. Eu reconsiderei deixar você entrar na minha vida porque você disse que sabia cozinhar e também porque você se emociona fácil. E isso é realmente uma característica importante pra mim, falo sobre saber cozinhar. Eu gostei mais de você (mais ainda) enquanto fazíamos o caminho de volta pra casa e você descansou sua mão direita na minha coxa, despretensiosamente, enquanto dirigia e então eu senti meu rosto enrubescer por pensar no calor que estávamos trocando. Você sempre foi quente. E então o Sol atingiu você em cheio e a sua barba vermelha foi incendiada diante dos meus olhos. Eu me apaixonei por você porque sabe ser silencioso e observar e eu posso te garantir que não é mais possível encontrar um número significativo de pessoas capazes de ficarem caladas e observarem. Eu me apaixonei por você afetuosa e lascivamente ao mesmo tempo porque – como-eu-já-te-disse-um-milhão-de-vezes – você é maravilhosamente lindo. Os seus olhos bem pretinhos, feito pequenas jabuticabas, olhando pra mim sob os seus cílios exageradamente curvados e escandalosamente ruivos são a coisa mais linda que eu já fui capaz de ver (quase posso ouvir você dizer o quanto eu sou exagerada, extrema e o quanto você adora isso em mim). Todas as vezes em que eu te vi, me apaixonei por você. Você pegou os meus “critérios” e os esfarelou na minha frente, acendendo um cigarro no meio da madrugada, recostado na minha janela e mantendo os meus olhos grudados em você, enquanto discutíamos por quanto tempo seríamos capazes de nos manter por perto, já que – como-você-já-me-disse-um-milhão-de-vezes – eu sou uma borboleta. Eu amei você porque, de certa forma, é bom com metáforas. E quando eu sorri tristemente por saber que você estava meio certo, lembro de sentir sua barba perto da minha orelha e observar atentamente as luzes da cidade que agora parecem brilhar muito mais, já que você está aqui. Amor, o seu cheiro ainda está em todas as coisas existentes. Eu sei o quanto você odeia estar errado, eu disse “meio certo” porque eu não sou uma borboleta, eu-sou-uma-ilha.

[+18]

Un letto per tre [+18] – Final

Não sei descrever a sensação que aquela cena me causou. Por um todo, faltam palavras para que a narrativa seja digna de ser tratada como fiel. Às palavras faltam cheiro e gosto, faltam a firmeza das mãos de Thiago e a delicadeza dos lábios de Isis – onde quer que eles estivessem. Eu sentia seus seios encostando nos meus enquanto Thiago a comia com fortes estocadas, Isis apoiou o queixo no meu ombro e com uma das mãos encontrou minha boceta. Os dedos dela me abriram, passando pela fenda molhada e inchada de tesão, no meio das minhas pernas. O meu urro de prazer foi simultâneo e incontrolável. Estávamos em um ritmo só, nós três.

Isis gozou primeiro. As expressões que o orgasmo dela crivava em seu rosto eram algo como uma pintura renascentista de uma cena dirigida por Rocco Siffredi. A boca dela estava solta, relaxada e, enquanto emitia gemidos ofegantes, os seus olhos faziam giros de trezentos e sessenta graus… era como se ela não controlasse mais o próprio corpo. Eu não aguentei muito tempo. Antes de gozar quase junto com Isis, minha boca se encheu de saliva e enfiei quatro dedos na boca, quase que inconscientemente. Um orgasmo de força descomunal tomou conta do meu corpo. Foi quase dolorido. Todos os meus músculos se contraíram e entrei em transe, ali, embaixo do corpo quente de Isis. Estávamos em êxtase, mas um de nós ainda não tinha chegado ao ápice.

Meu corpo ainda estava sob custódia da exaustão quando fui puxada pelo cabelo carinhosamente. Senti, com os olhos fechados, o pau de Thiago invadindo minha boca. As mão dele eram aporte, segurando minha cabeça e fazendo movimentos contínuos, os dedos dele estavam enfiados no meu cabelo. Não demorou muito para que ele se entregasse ao prazer de ser chupado, sugado, engolido. Soltou as mãos relaxadas ao lado do corpo. Me concentrava em enfiar o seu pau inteiro na boca e, quando conseguia este feito, engasgava e soltava gemidos de prazer por minha conquista. Podia ver as coxas de Thiago arrepiarem. Suas mãos quase rasgavam os lençóis. Isis me acariciava e nos olhava atenta, excitada.

Fui colocada de quatro pra ele enquanto Isis segurava e apertava meus seios. Procurei os seios dela desesperadamente para preencher a minha boca e então os sons dos meus gemidos foram abafados por eles. Thiago parecia ensandecido. Apertava minha bunda com força e a abria bem devagar, me dando tapas e soltando gemidos deliciosos entredentes. O terceiro mosqueteiro se entregou. O jato quente dele se espalhou em mim. Nos jogamos na cama, os corpos fervendo, exalando feromônio. Nos entregamos á exaustão perto do amanhecer. Dormi por algumas poucas horas e estava  ainda em um sono pesado quando senti as mão de Thiago em mim, me puxando pra ele. Estava deitada de lado, embriagada de tesão e cansaço. Minhas costas nuas eram a vista pra ele.

As mãos pesadas de Thiago contornavam meu corpo e eu, incontrolavelmente, ficava toda arrepiada. Que vontade de comer você, ele sussurrou em mim. De olhos ainda fechados, sorri um sorriso libertino. Empinei a bunda pra ele e podia sentir o seu pau duro, exultante, encostando em mim. Passou um dos braços pelos meus seios e com a outra mão me enforcou devagar. Facilitei a entrada me abrindo pra ele, mas quando senti seu pau dentro de mim, não tive forças pra me manter firme entreguei meu corpo. Sentia o quente do nosso sexo e do Sol que entrava pelas frestas da janela. Meus gemidos eram ofegantes, acompanhando o movimento dele no meu corpo. O gozo pra Thiago veio arrebatadoramente. Me apertou em seus braços com força, quase me deixando sem ar e em seguida relaxou os músculos, que ainda tinham espasmos de tanto prazer. Ele beijava minhas costas quando Isis entrou no quarto apenas de calcinha e sorriu maliciosamente pra nós.
Que delícia ouvir vocês, agora é minha vez? – ela disse.

 

 

Listas

Le bonheur

Você vindo ao meu encontro com um sorriso largo e lindo. Sorvete gostoso numa terça a tarde. Massagem nos pés. Beijo de cachorro quando a gente chega em casa. Temperatura baixa. Abraço apertado. Sua voz ao pé do ouvido – lendo aquele conto que você me escreveu. O som das nossas risadas misturadas. Roupa com o seu cheiro. Pia sem louça pra lavar. Lembrar que tem um pedaço de bolo na geladeira. Sua barba ruiva linda brilhando pra mim no Sol. Encontrar um amigo em um dia muito triste e poder chorar feito criança no abraço dele. Você encostado no carro me esperando na saída do trabalho.Entender, de repente, dentro do seu abraço o significado de ser amada. Rir quando lembrar de uma piada no meio da rua. Ver uma demonstração de afeto em público. Promoção no trabalho. Se sentir livre pra amar quem quiser. Um plantão sem óbito. Você promovendo o meu riso a gargalhada, me fazendo mais feliz do que sonhei em ser um dia. Ouvir Charlie Brown ou Nina Simone com você. Os seus pés empurrando o meu antes de dormir. O vento beijando a gente enquanto contorno suas sardas com os dedos e você cantarola J’ai Deux Amours, com o seu francês que eu acho lindo.

A sua luz me atravessando sem me queimar. Não caber em mim de alegria por ter te encontrado.

De qualquer tipo, amor

Riscos exponencias

A vida adulta baseia-se em consumir uma quantidade absurda de café pra conseguir, ironicamente, estudar sobre os fármacos anti-arrítmicos até muito tarde da noite e querer ligar pra você à uma e trinta e quatro da manhã só pra dizer que os meus batimentos estão assustadoramente acelerados sem ter certeza se isso é sobre café, fisiologia ou se é sobre saudade. Ligar só pra ouvir tua voz, porque tenho impressão de que a estou esquecendo. Me fugiu da boca o nome que eu mais amei dizer na vida – porque eu parei de pronunciá-lo – e isso me assustou. Dizer o seu nome em voz alta e contar pra você que eu tenho medo de matar a coisa mais rara que já senti e nunca mais conseguir te olhar com olhos de amor, como se você, que era incandescente pra mim, parasse de brilhar. Medo de nunca mais te ver – como se suas moléculas dissipassem no Universo. O desvencilho do esquecimento me assusta. Mas, mesmo você desfeito, dissipado, me deixa uma lembrança nítida do seu cheiro. A memória de um carinho de horas com você na cama e madrugadas de recaída fazendo amor serviram apenas pra doer em mim. Pra doer infinito, uma dor sem limite de tempo e espaço.

Passou pela minha cabeça que o horário não fosse, talvez, apropriado para discutir os preceitos da física. Mas era necessário. Como eu faço pra você entender que corpos super-massivos atraem outras massas? Os impactos causados pelo encontro das massas desintegram os corpos moleculares, isso são colisões cósmicas. Colisões podem ser catastróficas, como nós. Como eu explico pra você que entropia é energia perdida, que não pode ser recuperada depois de uma colisão entre os corpos massivos. Você não acredita quando eu digo que essa energia não retorna nunca mais ao corpo massivo que a dispensou. Será que algum outro corpo super-massivo no Universo a absorve? Pensei na energia que despendi por você. Apesar da entropia e mesmo depois das colisões, as moléculas produzem energia incessantemente. Isso não é bonito?

Andando pelas ruas, eu já nem sei dizer se o seu rosto é muito comum ou se a minha mente imprime traços seus em tudo o que se movimenta. Você era calor, pra mim. E agora, ficar desesperadamente assustada com um contorno parecido com o seu se aproximando de mim ou vê-lo no cruzamento mais movimentado da cidade com as mãos descansadas no volante, esquecido da minha existência enquanto o meu coração bate um milhão de vezes por minuto, me faz pensar em entropia. Seu esquecimento mareja os olhos – os meus, é claro (você não acha bonito esse verbo? marejar), – embarga a voz. Mas todas as moléculas vão, inevitavelmente, se desfazer. Toda molécula está por um triz, todo amor do mundo também. É o risco que se corre por existir. Essa é a angustia primordial do ser humano: a consciência da finitude. Saber que é esquecível. A dor é ser um rascunho do Universo, esquecível, inotável (essa palavra inexistente, mas tão necessária), olhando você de longe.

Cansada das não delicadezas da sua ausência, decidi dissipar por mim. Amar também é sair de cena. Me assusta pensar que você vai ser sempre essa massa condensada por cima das minhas palavras e das minhas músicas – e nas lembranças, com o peso do corpo por cima de mim -, sem voz, sem cor, sem calor, mas com cheiro, essa saudade intransponível (que nem é física) parecida com um móvel antigo que eu arrasto por aí.  Embora eu não tenha nenhuma explicação metafísica para o amor que sinto por você e nenhuma analogia que eu realmente gostaria de usar, quero te pedir pra não duvidar dele, porque isso é o que eu sou. Eu sou esse tanto de amor por você, e esse corpo que me carrega tem lembrança na pele do seu calor que queimava. Me desculpe, o que sinto por você é tão grande que, às vezes, não sei como lidar e nem como não escrever sobre isso.

Listas

Transato e presciente

Todas as pessoas são dignas de serem amadas, cada um ao seu modo. Amor não é questão de merecimento, às vezes, você vai amar alguém que não te “merece”. Quando alguém disser “ você merece uma pessoa melhor do que eu” acredite, pode ser a única verdade que ele te disse. Um relacionamento feliz não precisa ser monogâmico – ele não precisa ser nada, só feliz mesmo. Você não é propriedade de ninguém, ninguém é sua propriedade. Amor e desejo sexual são coisas imensamente distintas. Amor é construído.

Tem muita gente bem fodida da cabeça que vai depositar dramas pessoais em você, tenha cuidado. Ser feliz sozinho é magnífico, ter alguém que fique feliz por sua felicidade também é. Ser feliz sozinho é necessário, estar com alguém pra ser feliz é dispensável. Não dá pra ser educado e cordial pra sempre com quem sempre te magoa e finge que não sabe o que está acontecendo. Você precisa decidir quem realmente merece sua companhia e dedicação. As pessoas normalmente sabem o que querem/esperam mas têm medo de arcar com as consequências das suas escolhas. Não seja essa pessoa.

Têm pessoas que vão usar você, sim. E vai doer absurdamente, mas passa. Você é uma pessoa linda e deliciosa de ser amada e tem gente que sabe disso. Às vezes você não vai ser o melhor pro outro em uma relação. Precisamos aprender a não desistir de quem amamos, mas também a não desistir de nós – em hipótese alguma – por ninguém.

Mantenha algumas músicas sagradas e não divida com ninguém, você vai precisar de músicas que não estejam vinculadas aos relacionamentos, depois que eles terminarem. Relacionamentos terminam e isso não é ruim. Felicidade juntinho em segredo é melhor do que qualquer declaração de amor escancarada. Vamos conhecer pessoas com quem vamos fazer sexo, pessoas com quem vamos fazer amor e pessoas com quem vamos fazer os dois. Amar é bom.